Pular para o conteúdo

Relatório de Sustentabilidade: Como Fazer em 2026

Veja como fazer um relatório de sustentabilidade em 2026 com dados rastreáveis, evidências auditáveis, IA, GRI, ISSB e checklist prático.

Publicado em 21 de setembro de 2026

Neste artigo

Sua empresa passou 2026 sem publicar relatório de sustentabilidade e agora quer saber se isso ainda é um problema. A resposta mudou neste ano, e vale entender por quê antes de decidir qualquer coisa.

Um relatório de sustentabilidade organiza informações sobre impactos, riscos, oportunidades e desempenho ambiental, social e de governança da organização. Isso é a definição de dicionário.

Na prática, um relatório só serve para alguma coisa quando o leitor consegue rastrear cada afirmação relevante até uma fonte, uma metodologia e uma evidência. Sem isso, é texto institucional bonito que não resiste a uma auditoria nem a uma pergunta incômoda de investidor.

Em 2026, houve uma mudança regulatória que pegou parte do mercado de surpresa. A Resolução CVM nº 244/2026 retirou a obrigatoriedade geral que a Resolução CVM nº 193/2023 havia criado para companhias abertas. O reporte voltou a ser voluntário, com uma obrigação de justificar a não adoção a partir de 1º de janeiro de 2027. Para quem decide seguir reportando no regime da CVM, os requisitos técnicos de aderência e asseguração continuam de pé.

Este guia mostra como estruturar o trabalho antes de começar a escrever: escolher o padrão certo, organizar indicadores, vincular evidências, montar uma matriz de rastreabilidade, usar IA sem fabricar dado e chegar à revisão com números que sobrevivem a uma pergunta difícil.

O que é, de fato, um relatório de sustentabilidade

É um documento de divulgação em que a organização apresenta informações estruturadas sobre impactos, riscos, oportunidades, políticas, metas e desempenho relacionados à sustentabilidade. Até aqui, nenhuma novidade.

O que muda bastante é a lógica por trás do conteúdo, e ela depende do padrão adotado e de quem vai usar a informação. Um relatório baseado em GRI conversa com stakeholders em geral: clientes, comunidades, colaboradores. Um relatório em IFRS S1 e IFRS S2 conversa com investidor, que quer entender risco financeiro ligado a clima e sustentabilidade. Tratar os dois como equivalentes é o primeiro erro que compromete a credibilidade do documento inteiro.

Existem três perguntas que ajudam a testar se um dado está pronto para publicação, antes de ele virar frase bonita no relatório:

Atributo Pergunta prática Como demonstrar
Comparabilidade O indicador pode ser comparado entre períodos ou organizações quando a metodologia permitir? Critério declarado, metodologia consistente e série histórica
Rastreabilidade De onde saiu esse número ou afirmação? Fonte primária, memória de cálculo, responsável e versão
Verificabilidade Um terceiro consegue reproduzir ou conferir o resultado? Evidência arquivada, trilha de auditoria e critérios documentados

Se uma afirmação relevante não passa nessas três perguntas, ela não está pronta. Ela precisa voltar para quem produziu o dado antes de qualquer texto ser escrito em cima dela.

O que a Resolução CVM nº 244/2026 realmente mudou

A Resolução CVM nº 193/2023 previa a adoção obrigatória, pelas companhias abertas, das normas de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, a partir dos exercícios sociais iniciados em ou após 1º de janeiro de 2026.

A Resolução CVM nº 244, de 29 de maio de 2026, revogou justamente o dispositivo que criava essa obrigatoriedade geral. O regime voltou a ser de adesão voluntária.

Na prática, cinco pontos resumem a mudança:

  1. O reporte no regime da Resolução CVM nº 193 deixou de ser obrigatório de forma geral para companhias abertas.
  2. A partir de 1º de janeiro de 2027, a companhia aberta que optar por não arquivar o relatório precisa justificar essa decisão por comunicado ao mercado.
  3. Quem optar pelo reporte precisa mantê-lo por, no mínimo, três exercícios sociais consecutivos.
  4. A entidade optante precisa declarar, de forma explícita e sem reservas, a aderência às normas emitidas pelo CBPS e pelo ISSB.
  5. O relatório preparado no regime da Resolução CVM nº 193 continua sujeito à asseguração por auditor independente registrado na CVM. Para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2026, a regra prevê asseguração razoável, e isso não mudou com a 244.

Vale ler o quinto ponto com atenção, porque é onde mais se erra na interpretação. A obrigação de asseguração se refere ao relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade elaborado dentro do regime da CVM. Um relatório voluntário feito por uma empresa fechada, baseado só em GRI, não passa a estar automaticamente sujeito a essa regra de asseguração da Resolução CVM nº 193 só porque a empresa decidiu publicar algo parecido.

Em resumo: a mudança de 2026 reduziu o escopo obrigatório. Ela não tocou nos requisitos técnicos de quem entra voluntariamente no regime da CVM.

Fontes primárias: Resolução CVM nº 244/2026 e Resolução CVM nº 193/2023.

Quem ainda pode ter obrigação ou pressão para reportar

Não existe uma regra única válida para toda organização. O enquadramento depende de setor, porte, natureza da entidade, contratos, mercado de capitais, financiadores e cadeia de valor em que a empresa está inserida.

Vetor Quem pode alcançar Natureza
Resolução BCB nº 139/2021 Instituições financeiras dos segmentos S1, S2, S3 e S4 Obrigação regulatória de divulgação do Relatório GRSAC
Contratos e homologações de fornecedores Empresas em cadeias de valor com exigências ESG Obrigação contratual ou comercial
Editais e processos de compras Fornecedores sujeitos a critérios do contratante Condição de participação ou contratação
Covenants e linhas de financiamento Empresas com compromissos vinculados a crédito Obrigação financeira ou contratual
Regulação estrangeira e cadeia de valor Exportadores e fornecedores de grupos sujeitos a regras internacionais Efeito indireto, conforme contrato e jurisdição

O Relatório GRSAC do Banco Central não é a mesma coisa que o relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade da CVM. São regimes distintos, com público e regras próprias, e é comum ver os dois confundidos em conversas de corredor.

O efeito da Diretiva (UE) 2026/470 na cadeia de valor

A Diretiva (UE) 2026/470, publicada em 26 de fevereiro de 2026 e em vigor desde 18 de março de 2026, alterou as regras europeias de reporte de sustentabilidade e de diligência devida.

Um ponto interessa diretamente a fornecedores brasileiros de grupos europeus: a diretiva criou o conceito de protected undertaking para empresas da cadeia de valor que não excedam, na data do balanço, a média de 1.000 empregados no exercício anterior. Para essas empresas, a diretiva limita, em determinadas condições, o volume de informações de sustentabilidade que a entidade reportante pode exigir além do previsto nas normas voluntárias aplicáveis. Os Estados-Membros têm até 19 de março de 2027 para transpor os artigos 1 a 3, e até 26 de julho de 2028 para o artigo 4.

Isso não cria obrigação legal brasileira nem direito contratual automático para ninguém aqui. O efeito prático é indireto: pode mudar o volume e o tipo de informação que um cliente europeu, sujeito à norma, pede à sua cadeia de fornecedores, conforme a transposição em cada país e o contrato já existente.

Fonte primária: Diretiva (UE) 2026/470 no EUR-Lex.

Qual padrão escolher: GRI, IFRS, Integrated Reporting ou SASB

Não existe padrão universalmente melhor. A escolha depende do que precisa ser divulgado e de quem vai ler.

Referência Foco principal Público mais comum
GRI Impactos da organização sobre economia, ambiente e pessoas Clientes, colaboradores, comunidades e demais stakeholders
IFRS S1 e IFRS S2 Riscos e oportunidades que podem afetar as perspectivas da entidade Investidores, credores e mercado de capitais
Integrated Reporting Framework Criação, preservação ou erosão de valor ao longo do tempo Provedores de capital financeiro e governança
SASB Standards Métricas setoriais relevantes para investidores Investidores, como orientação setorial dentro do ISSB
TCFD Riscos e oportunidades relacionados ao clima Investidores, credores e seguradoras

Dois cuidados evitam erro de posicionamento. Primeiro: os SASB Standards continuam existindo, mantidos pelo próprio ISSB como orientação setorial. Não é correto dizer que foram simplesmente "absorvidos" e deixaram de existir. Segundo: as recomendações da TCFD foram incorporadas às normas ISSB, então uma organização que aplica IFRS S1 e IFRS S2 já atende essas recomendações, segundo a própria IFRS Foundation.

Uma empresa pode usar referências complementares à vontade. O que não pode é declarar conformidade ou aderência a um padrão sem cumprir de fato os requisitos que essa declaração exige.

Antes de escrever, monte a camada de dados

A redação é a parte visível do relatório, mas não é a parte difícil. A parte difícil é garantir que cada informação relevante tenha definição, escopo, fonte, metodologia, responsável e evidência antes de virar texto.

Os problemas que mais aparecem nessa fase, na experiência de quem já passou por um ciclo de relatório:

  • o mesmo indicador existe em duas planilhas diferentes, com dois valores diferentes;
  • a metodologia de cálculo nunca foi escrita em lugar nenhum, só existe na cabeça de quem calcula;
  • o valor final foi consolidado, mas a evidência primária (fatura, laudo, registro) já não está mais localizável;
  • o escopo mudou de um ano para o outro e ninguém ajustou ou explicou a comparação;
  • informações sociais e de governança seguem soltas em texto, sem nunca terem virado indicador.

A saída é simples de descrever e trabalhosa de fazer: montar a camada de dados antes de transformar número em narrativa.

O dicionário de indicadores, linha a linha

Monte uma linha de dicionário para cada indicador relevante antes de partir para a consolidação final. Um exemplo de como preencher:

Campo O que preencher Exemplo
ID Código único AMB-003
Indicador Nome exato Consumo total de água por fonte
Padrão e divulgação Referência adotada GRI 303-3
Unidade Unidade e precisão m³, sem casas decimais
Fórmula Memória de cálculo Soma das leituras mensais conforme fontes definidas
Escopo Unidades e operações incluídas Unidades BH e Contagem; exclui escritório SP
Período Recorte temporal 01/01 a 31/12 do exercício
Fonte primária Documento ou sistema de origem Faturas + registros de medição
Evidência exigida O que deve ser arquivado Faturas do período + memória de cálculo
Responsável pelo dado Área ou função Coordenação de Meio Ambiente
Aprovador Função responsável pela validação Gerência de SGI
Frequência Periodicidade de coleta Mensal
Baseline Ano-base 2023
Meta Meta formal, quando houver Redução definida em planejamento aprovado
Limitações O que o indicador não cobre Escopos excluídos e justificativa

Se um indicador não tem definição e fonte documentadas nessa linha, ele não está pronto para publicação. Não importa quão bom o número pareça.

Da afirmação à evidência: a matriz de rastreabilidade

Uma boa matriz de rastreabilidade permite sair de uma frase publicada e chegar rapidamente ao dado que a sustenta. Sem ela, cada pergunta de auditor vira uma caça ao tesouro interna.

Afirmação no relatório Indicador Evidência Local Responsável Verificação
"Reduzimos 9% o consumo de água" AMB-003 Faturas dos dois períodos + memória de cálculo Repositório controlado / Ambiental / Água Meio Ambiente 12/02/2027
"Avaliamos a conformidade dos requisitos ambientais aplicáveis" GOV-011 Matriz de requisitos, status, justificativas e evidências Sistema de requisitos legais SGI 12/02/2027
"Não houve acidente com afastamento no período" SOC-002 Registros de SST e documentos do critério definido Repositório SST / 2026 SESMT 12/02/2027

A matriz não substitui o julgamento técnico de quem revisa o relatório. Ela só garante que existe um caminho de volta entre o que foi publicado e o que pode, de fato, ser demonstrado.

Conformidade legal pode virar indicador de governança

A gestão de requisitos legais gera, quase de graça, indicadores internos que demonstram disciplina de gestão, controle e tratamento de desvios. Vale usar isso, com um cuidado: esses indicadores não são divulgações obrigatórias de GRI ou ISSB. Eles entram no relatório quando forem relevantes para o objetivo do documento, para a materialidade definida e para o padrão adotado, não por padrão.

Alguns exemplos de indicadores de gestão que costumam funcionar bem no pilar de governança:

Indicador Fórmula possível Fonte operacional
Índice de conformidade legal Requisitos atendidos ÷ requisitos aplicáveis Matriz de requisitos legais
Cobertura de evidências Requisitos com evidência válida ÷ requisitos avaliados Sistema ou repositório de evidências
Tempo médio de tratamento de NC Média de dias entre abertura e encerramento Registro de não conformidades
Aderência a prazos de planos de ação Ações concluídas no prazo ÷ ações previstas Planos de ação
Requisitos novos avaliados no período Quantidade de requisitos novos avaliados quanto à aplicabilidade Monitoramento legislativo
Cobertura de escopos monitorados Escopos monitorados ÷ escopos aplicáveis Matriz de aplicabilidade

O ganho aparece quando requisito, responsável, prazo, avaliação, evidência, não conformidade e plano de ação continuam relacionados dentro do mesmo fluxo. Na auditoria ou na asseguração, isso evita reconstruir manualmente o histórico de cada informação, o que costuma consumir mais tempo do que a própria coleta de dados original.

IA no relatório, sem automatizar o greenwashing

IA generativa apoia bem a estruturação, aificação, a comparação e a redação. O que ela não faz, e nunca deveria fazer, é transformar um dado sem fonte em evidência.

Etapa Onde a IA ajuda O que continua sendo decisão humana
Materialidade Consolidar respostas, agrupar temas, achar padrão Definir e aprovar os temas materiais
Gap analysis Comparar o que existe com o que o padrão exige Decidir como tratar cada lacuna
Redação Transformar dado validado em texto padronizado Aprovar afirmação e contexto
Revisão Sinalizar número sem fonte, linguagem vaga, inconsistência Aceitar, corrigir ou retirar o conteúdo
Desempenho Sinalizar tendência e desvio nos dados fornecidos Interpretar causa, risco e decisão

A etapa de materialidade é justamente onde o GRI 3: Temas Materiais entra em jogo. O padrão orienta a identificação e a priorização dos impactos mais significativos para determinar os temas materiais. A IA pode organizar evidências, respostas e critérios, mas a avaliação e a aprovação continuam sob responsabilidade da organização.

Cinco regras mínimas de governança para quem já usa IA nesse processo:

  1. Não enviar dado pessoal, sigiloso ou contratual sensível para ferramenta sem antes avaliar contrato, política de retenção e controles do ambiente.
  2. Registrar quem revisou e aprovou cada saída de IA usada no relatório final.
  3. Guardar, quando relevante, o prompt, o material de entrada, a ferramenta e a versão do modelo. Isso importa para governança e para reproduzir o resultado depois.
  4. Nunca deixar a IA preencher lacuna factual com estimativa não aprovada por alguém responsável.
  5. Separar, com clareza, o que é fato, o que é cálculo, o que é interpretação e o que é texto gerado.

Antes de contratar uma ferramenta nova, vale checar o que o ambiente corporativo já disponibiliza e o que a política interna de segurança da informação permite.

Quatro comandos prontos para usar com documentos anexados

Os comandos abaixo foram escritos para funcionar com arquivos, tabelas e textos já anexados à conversa com a ferramenta de IA. Eles não pedem que você edite variáveis dentro do comando. Se algum documento indispensável não estiver disponível, a própria IA deve apontar exatamente o que falta antes de concluir.

Para consolidar entradas de materialidade

Atue como analista de sustentabilidade.
Use exclusivamente as respostas de stakeholders presentes nos arquivos, tabelas e mensagens desta conversa.
Tarefas:
1. Agrupe respostas semelhantes sem criar temas ausentes nos dados.
2. Informe quantas menções aparecem em cada tema e por grupo de stakeholder, quando essa informação estiver disponível.
3. Aponte divergências entre grupos.
4. Liste temas isolados separadamente.
5. Não determine a materialidade final.
6. Marque trechos ambíguos como "requer esclarecimento".
7. Ao final, indique quais temas têm evidência suficiente para seguir para avaliação de significância e quais ainda dependem de informação adicional.
Não complete lacunas por inferência. Diferencie claramente dado fornecido, síntese e interpretação.

Para fazer gap analysis contra um padrão

Use o relatório de sustentabilidade, o inventário de informações e indicadores e o texto do padrão que estiverem anexados nesta conversa.
Compare somente o conteúdo efetivamente disponível com os requisitos do padrão fornecido.
Devolva uma tabela com as colunas:
requisito ou divulgação | evidência disponível | status (sim/parcial/não) | lacuna identificada | ação necessária | responsável sugerido.
Regras:
- não invente conteúdo nem dados para preencher lacunas;
- cite a página, seção ou trecho da evidência utilizada sempre que isso estiver disponível;
- quando houver conflito entre documentos, sinalize a divergência em vez de escolher um valor por conta própria;
- se o texto normativo necessário não estiver disponível, informe exatamente qual documento ou seção falta e não conclua a aderência daquele item.

Para redigir a partir de um indicador já validado

Use exclusivamente o indicador validado e sua documentação de suporte presentes nesta conversa.
Transforme o conteúdo em um parágrafo de relatório de sustentabilidade com, no máximo, quatro frases.
O parágrafo deve:
- informar valor, unidade, período e escopo;
- indicar baseline e meta somente quando estiverem documentados;
- declarar limitações relevantes;
- evitar adjetivos de desempenho sem base;
- não fazer comparação que os dados não sustentem;
- informar de forma clara eventual piora comprovada em relação ao baseline.
Se faltar valor, unidade, período, escopo ou evidência mínima, não redija a afirmação como fato. Liste o dado ausente primeiro.

Para revisar afirmações não sustentadas

Revise o texto do relatório de sustentabilidade disponível nesta conversa como um revisor cético de evidências.
Devolva uma tabela com as colunas:
trecho | problema | evidência ou esclarecimento necessário | nível de risco para publicação.
Procure especialmente:
1. afirmação de resultado sem dado;
2. número sem período, escopo ou unidade;
3. compromisso sem prazo ou indicador;
4. adjetivo valorativo sem evidência;
5. comparação sem base declarada;
6. conclusão causal não demonstrada;
7. informação regulatória sem fonte ou data;
8. divergência entre o texto publicado e a evidência anexada.
Não reescreva o texto nessa etapa. Apenas sinalize os pontos eifique o risco como baixo, médio ou alto de acordo com a gravidade da lacuna de evidência.

Checklist antes de entregar para asseguração ou revisão independente

O escopo exato varia conforme o padrão, o nível de asseguração escolhido e o contrato com o auditor. Como preparação mínima, confira:

  • [ ] dicionário de indicadores versionado;
  • [ ] matriz de rastreabilidade entre afirmações e evidências;
  • [ ] memória de cálculo dos indicadores quantitativos;
  • [ ] evidências primárias arquivadas e localizáveis;
  • [ ] registro das mudanças de escopo e metodologia;
  • [ ] documentação do processo de materialidade, quando aplicável;
  • [ ] declaração correta do padrão e do nível de aderência;
  • [ ] matriz de requisitos legais aplicáveis e avaliações relevantes ao relatório;
  • [ ] registro de não conformidades e planos de ação ligados aos indicadores divulgados;
  • [ ] aprovação formal conforme a governança interna;
  • [ ] identificação dos responsáveis por cada revisão;
  • [ ] registro da governança de IA, caso ela tenha sido usada no processo.

Um cronograma de aproximadamente 90 dias

Um ciclo de cerca de 13 semanas costuma funcionar quando a organização já tem dados minimamente disponíveis. Projetos com lacunas relevantes de dados, várias unidades ou primeiro processo de materialidade tendem a precisar de mais tempo, e vale admitir isso cedo em vez de forçar o prazo.

Semana Entrega principal Responsável típico
1 a 2 Objetivo, público, padrão e escopo Alta direção + Sustentabilidade/SGI
3 a 4 Impactos, stakeholders e materialidade, conforme o padrão Sustentabilidade + áreas envolvidas
5 a 6 Dicionário de indicadores, responsáveis e critérios SGI + donos dos dados
7 a 9 Coleta, reconciliação, cálculos e evidências Áreas donas dos dados
10 Conformidade legal, NCs, planos de ação e controles relacionados Compliance/SGI
11 Gap analysis e tratamento das lacunas Sustentabilidade + responsáveis técnicos
12 Redação e revisão de evidências Comunicação + áreas técnicas
13 Aprovação, publicação e preparação do pacote de asseguração Alta direção + responsáveis pelo reporte

Quando o projeto atrasa, quase sempre o atraso acontece na fase de coleta. E, quando isso acontece, o problema raramente é editorial. É uma lacuna de governança do dado, e ela precisa ser resolvida antes da publicação, não escondida atrás de um texto bem escrito.

Onde a tecnologia realmente ajuda

A tecnologia reduz o esforço de montar um relatório quando ela melhora o dado na origem, não quando ela só gera texto bonito no fim do processo. Requisitos legais avaliados e organizados em fluxo único, em vez de espalhados entre planilhas e sistemas que não conversam, viram evidência reaproveitável quando o relatório precisa dela. Uma não conformidade vinculada ao requisito e ao plano de ação que a tratou preserva o histórico necessário para quem audita. Quando esses registros são consolidados manualmente ano após ano, sem vínculo entre requisito, evidência, desvio e tratamento, alguém precisa reconstruir o histórico do zero a cada ciclo.

A diferença relevante não é gerar texto com IA. É deixar de tratar o relatório como um projeto de reconstrução de informação e passar a reutilizar dado que a gestão da conformidade já produz o ano inteiro.

Perguntas frequentes sobre relatório de sustentabilidade

O relatório de sustentabilidade ainda é obrigatório para companhias abertas no Brasil?

Não, de forma geral, no regime da Resolução CVM nº 193. A Resolução CVM nº 244/2026 revogou a obrigatoriedade que havia sido prevista. A partir de 1º de janeiro de 2027, a companhia aberta que não optar pelo arquivamento precisa justificar publicamente essa decisão, conforme a própria Resolução CVM nº 244.

Quem opta pelo regime da CVM precisa de auditoria independente?

Sim. O relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade elaborado no regime da Resolução CVM nº 193 continua sujeito à asseguração por auditor independente registrado na CVM, com asseguração razoável para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2026.

Todo relatório GRI precisa dessa asseguração da CVM?

Não. A obrigação da Resolução CVM nº 193 é específica do relatório submetido ao regime regulatório da CVM. Outros relatórios voluntários precisam ser avaliados conforme o padrão adotado, os compromissos da organização, os contratos vigentes e a eventual decisão de buscar asseguração independente por conta própria.

Por quanto tempo a companhia que opta pelo regime da CVM precisa manter a publicação?

Por, no mínimo, três exercícios sociais consecutivos. Interromper depois disso exige comunicação conforme as regras da Resolução CVM nº 244/2026.

Qual padrão é melhor para quem está começando?

Depende do objetivo, não da popularidade do padrão. GRI é referência global para reportar impactos da organização sobre economia, ambiente e pessoas. IFRS S1 e IFRS S2 são voltados a informação de sustentabilidade relevante para investidor e demais provedores de capital. Escolha a partir de quem vai ler o relatório.

Empresa de capital fechado precisa fazer relatório de sustentabilidade?

Não por exigência geral da CVM. Mas pode estar sujeita a exigência contratual, financeira, setorial, de cliente, de matriz ou de cadeia de valor. Isso precisa ser verificado caso a caso, não assumido de um jeito ou de outro.

Quanto tempo leva para elaborar o primeiro relatório?

Não existe prazo universal. Um cronograma de cerca de 90 dias funciona quando o escopo já está definido e os dados já existem com qualidade razoável. Quem ainda precisa estruturar materialidade, indicadores, fontes e evidências do zero deve considerar um ciclo maior.

Dá para usar inteligência artificial para escrever o relatório?

Dá, desde que a IA trabalhe sobre dado e critério já validados, com revisão humana no final. Ela apoia estruturação, comparação, redação e revisão. O que ela não deve fazer é inventar indicador, evidência ou conclusão que o dado não sustente.

Como os requisitos legais entram no relatório de sustentabilidade?

A gestão de requisitos legais fornece evidência e indicador de governança: cobertura de avaliações, tratamento de não conformidades, cumprimento de planos de ação. Usar isso no relatório depende da materialidade, do padrão adotado e do contexto da organização, não é automático.

O que é greenwashing em um relatório de sustentabilidade?

É apresentar uma alegação ambiental ou de sustentabilidade de forma enganosa, sem sustentação adequada, de um jeito capaz de induzir o leitor a uma percepção incorreta. Resultado sem evidência, número sem escopo, comparação sem base e compromisso vago sem prazo são os sinais mais comuns de risco.

Como a DaMatta ESG entra nessa estrutura

Este guia funciona com planilha, sistema próprio ou plataforma especializada. A diferença está no esforço para manter requisito, avaliação, evidência, não conformidade e plano de ação rastreáveis durante o ano inteiro, não só na semana de fechar o relatório.

No EASY Compliance, a DaMatta centraliza a gestão de requisitos legais, avaliações, evidências, não conformidades, planos de ação, prazos e indicadores. O RAF, recurso de inteligência artificial da plataforma, apoia a leitura de documentos e a correlação entre evidências e requisitos legais e normativos, sempre com a decisão final sob validação humana.

Esses registros não substituem o processo de materialidade nem geram, sozinhos, um relatório GRI ou ISSB pronto. O que eles fazem é dar uma base mais estruturada para os indicadores de conformidade e governança, reduzindo o trabalho de reconstruir evidência quando chega a hora do relatório ou da auditoria.

Conheça o EASY Compliance e fale com a equipe da DaMatta ESG.

Fontes oficiais consultadas

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise técnica ou jurídica das obrigações aplicáveis a uma organização específica.

Easy Compliance

Do levantamento à evidência, num lugar só.

Requisitos, responsáveis, evidências e planos de ação no mesmo sistema. Converse com quem implanta e veja no seu caso.

Conversar com especialistaResposta em até um dia útil.
EASY Kalite SGQ

A Qualidade da sua empresa, sob controle.

Do documento à auditoria de certificação, com a equipe usando o sistema no dia a dia. Converse com quem implanta.

Conversar com especialistaResposta em até um dia útil.
DaMatta Solutions

Gestão que funciona na rotina.

Conformidade legal, Qualidade e meio ambiente com método e sistema. Converse com a equipe.

Falar com a DaMattaResposta em até um dia útil.

Continue lendo