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ISO 45001: o que é, relação com a NR-1 e como obter a certificação

ISO 45001: entenda os requisitos legais da cláusula 6.1.3 e sua relação com a NR-1, o GRO e o PGR na segurança do trabalho.

Publicado em 14 de julho de 2026

Neste artigo

A ISO 45001 é a norma internacional certificável para sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho. Ela ajuda empresas a identificar perigos, avaliar riscos, definir controles, cumprir obrigações aplicáveis e melhorar continuamente o desempenho de SST.

No Brasil, a norma não substitui a NR-1, o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nem as demais Normas Regulamentadoras.

O papel da ISO 45001 é outro: transformar controles dispersos em um sistema de gestão com responsabilidades, participação dos trabalhadores, indicadores, auditorias e decisões da liderança.

Em julho de 2026, a edição vigente continua sendo a ISO 45001:2018, confirmada pela ISO em 2024, junto da Emenda 1:2024 sobre mudanças climáticas. Uma revisão da norma está em desenvolvimento, mas ainda não substituiu a edição de 2018.

Na Damatta, uma dúvida aparece com frequência: se a empresa já possui PGR, quanto falta para atender à ISO 45001?

A resposta depende da qualidade do que já existe.

Um PGR atualizado, conectado à operação e acompanhado por responsáveis pode fornecer uma parte importante da base. Um documento produzido apenas para arquivo não oferece a mesma vantagem.

ISO 45001 em resumo

Uma organização que aplica a ISO 45001 precisa demonstrar, com evidências, que consegue responder a perguntas como:

  • Quais perigos existem nas atividades?
  • Como os riscos foram avaliados?
  • Quais controles seguem a hierarquia de prevenção?
  • Quem responde por cada ação?
  • Os trabalhadores participaram da identificação dos problemas?
  • Quais requisitos legais se aplicam?
  • Como incidentes e não conformidades são investigados?
  • O que a liderança decidiu a partir dos indicadores?
  • Como a empresa verifica se o sistema está melhorando?

A certificação não depende apenas de procedimentos escritos.

O auditor também observa a prática, conversa com trabalhadores, verifica controles no local e compara o que foi documentado com o que realmente acontece.

O que é a ISO 45001

Publicada em março de 2018, a ISO 45001 estabelece requisitos para criar, implementar, manter e melhorar um sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional.

Ela substituiu a OHSAS 18001, cuja transição internacional terminou em 2021.

A ISO 45001 pode ser aplicada a organizações de qualquer porte e setor. O sistema, porém, deve ser proporcional ao contexto e aos riscos da operação.

Uma empresa de serviços não precisa da mesma estrutura de uma indústria química. As duas precisam demonstrar que conhecem seus perigos, cumprem as obrigações aplicáveis e controlam os riscos de forma coerente.

A norma trata, entre outros pontos, de:

  • contexto da organização;
  • necessidades de trabalhadores e outras partes interessadas;
  • liderança e responsabilidades;
  • consulta e participação dos trabalhadores;
  • identificação de perigos;
  • avaliação de riscos e oportunidades;
  • requisitos legais;
  • controles operacionais;
  • compras, terceiros e processos terceirizados;
  • preparação para emergências;
  • monitoramento e avaliação;
  • auditoria interna;
  • análise crítica da direção;
  • incidentes, não conformidades e melhoria contínua.

O que mudou em relação à OHSAS 18001

A ISO 45001 não representa apenas uma troca de nome.

Ela ampliou a integração da segurança e saúde no trabalho com a estratégia, a liderança e os demais processos do negócio.

Tema Evolução trazida pela ISO 45001
Estrutura Adota uma estrutura compatível com normas como ISO 9001 e ISO 14001
Contexto Exige análise de fatores internos, externos e partes interessadas
Liderança Reforça a responsabilidade e a prestação de contas da alta direção
Trabalhadores Dá mais peso à consulta e à participação em diferentes níveis
Planejamento Considera riscos de SST, riscos ao sistema e oportunidades
Cadeia de valor Trata compras, contratados e processos terceirizados de forma mais clara
Desempenho Conecta controles, indicadores, auditorias e melhoria contínua

A mudança mais perceptível costuma aparecer na liderança.

Segurança não pode ficar isolada no técnico ou no engenheiro de SST. A direção precisa definir prioridades, disponibilizar recursos, acompanhar resultados e responder pelo funcionamento do sistema.

Como a ISO 45001 está estruturada

A norma possui dez cláusulas. As três primeiras tratam de escopo, referências e termos. Os requisitos auditáveis aparecem nas cláusulas 4 a 10:

  1. Contexto da organização.
  2. Liderança e participação dos trabalhadores.
  3. Planejamento.
  4. Apoio.
  5. Operação.
  6. Avaliação de desempenho.
  7. Melhoria.

A estrutura acompanha o ciclo PDCA:

  • Planejar: entender contexto, perigos, riscos, obrigações e objetivos.
  • Executar: implementar controles, competências, comunicação e resposta a emergências.
  • Verificar: medir, auditar e avaliar a conformidade.
  • Agir: corrigir falhas e melhorar o sistema.

Risco de SST e risco para o sistema não são a mesma coisa

A ISO 45001 trabalha com mais de um tipo de risco.

O risco de SST está ligado à combinação entre a probabilidade de ocorrência de um evento ou exposição perigosa e a gravidade da lesão ou do agravo à saúde.

A norma também considera riscos e oportunidades capazes de afetar o próprio sistema de gestão, como mudanças regulatórias, falta de recursos, falhas na cadeia de fornecimento ou baixa participação dos trabalhadores.

Uma implantação consistente precisa olhar para os dois níveis.

Hierarquia de controles: por que o EPI vem por último

A cláusula 8.1.2 estabelece uma ordem de preferência para eliminar perigos e reduzir riscos.

  1. Eliminar o perigo: retirar a atividade, o agente ou a condição perigosa.
  2. Substituir: trocar o processo, equipamento ou produto por uma alternativa menos perigosa.
  3. Adotar controles de engenharia ou reorganizar o trabalho: instalar barreiras, enclausuramento, exaustão, proteção mecânica ou automatização.
  4. Aplicar controles administrativos: criar procedimentos, sinalização, treinamento, rodízio e limites de exposição.
  5. Fornecer EPI adequado: utilizar a proteção individual como última camada ou como complemento às demais medidas.

Isso não significa que o EPI seja dispensável.

Significa que a empresa não deve transferir para o trabalhador toda a responsabilidade por um perigo que poderia ser eliminado ou controlado na origem.

Um teste simples ajuda:

Antes de exigir mais atenção ou mais equipamento do trabalhador, a empresa avaliou se poderia remover o perigo ou redesenhar o processo?

ISO 45003 e riscos psicossociais

A ISO 45003:2021 oferece orientações para gerenciar riscos psicossociais dentro de um sistema baseado na ISO 45001.

Ela não substitui a ISO 45001 e não cria uma certificação independente equivalente. Seu papel é orientar a identificação e o tratamento de fatores ligados à organização e às condições de trabalho.

Entre os exemplos estão:

  • carga de trabalho excessiva;
  • metas incompatíveis com os recursos disponíveis;
  • falta de clareza sobre papéis;
  • baixa autonomia;
  • jornadas e escalas inadequadas;
  • conflito interpessoal;
  • violência e assédio;
  • falta de apoio da liderança;
  • insegurança sobre mudanças;
  • trabalho remoto mal organizado;
  • ambiente físico inadequado.

O ponto central é não reduzir o problema à capacidade individual de suportar pressão.

Treinamentos de resiliência, programas de bem-estar e atendimento psicológico podem ajudar, mas não corrigem sozinhos uma carga de trabalho inviável, uma liderança abusiva ou um processo mal desenhado.

O papel de canais de denúncia

Um canal de denúncia seguro pode ajudar a identificar assédio, violência, retaliação e outras situações que não aparecem em indicadores tradicionais.

Mas ele é apenas uma das fontes de informação.

A gestão também pode utilizar:

  • Avaliação Ergonômica Preliminar;
  • análise do trabalho real;
  • entrevistas e grupos de escuta;
  • dados de afastamento e rotatividade;
  • registros de incidentes;
  • consultas aos trabalhadores;
  • análise de jornada e carga de trabalho;
  • informações da CIPA e de representantes.

O canal não substitui a avaliação das condições e da organização do trabalho.

Riscos psicossociais na NR-1

A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 está em vigor desde 26 de maio de 2026. Ela tornou explícita a inclusão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do gerenciamento dos riscos ocupacionais.

Esses fatores aparecem na legislação dentro do campo ergonômico e devem ser tratados em conexão com a NR-17.

Na prática, a empresa precisa:

  1. Identificar perigos relacionados às condições e à organização do trabalho.
  2. Avaliar os riscos de acordo com critérios tecnicamente adequados.
  3. Registrar os resultados na Avaliação Ergonômica Preliminar e no inventário, quando aplicável.
  4. Definir medidas de prevenção.
  5. Incluir ações, responsáveis e prazos no plano de ação.
  6. Acompanhar se as medidas funcionaram.

O Ministério do Trabalho e Emprego esclarece que não existe uma única ferramenta obrigatória para essa avaliação.

Questionário isolado também não basta. A metodologia precisa ser compatível com o contexto e seus resultados devem ser analisados tecnicamente.

Para aprofundar o tema, consulte:

Mudanças climáticas e segurança ocupacional

Em 2024, a ISO publicou uma emenda climática aplicável à ISO 45001 e a outras normas de sistemas de gestão.

A organização passou a precisar determinar se as mudanças climáticas são uma questão relevante para seu sistema. Também deve considerar se partes interessadas possuem requisitos relacionados ao tema.

Na segurança e saúde no trabalho, essa análise pode envolver:

  • estresse térmico;
  • exposição à radiação solar;
  • piora da qualidade do ar;
  • enchentes e deslizamentos;
  • tempestades;
  • alteração de vetores biológicos;
  • interrupção de rotas;
  • riscos durante respostas a emergências;
  • mudanças em processos causadas por adaptação climática.

A ISO/PAS 45007:2026 complementa essa discussão com orientações específicas sobre riscos de SST decorrentes das mudanças climáticas e das próprias ações de adaptação e mitigação.

A análise precisa sair do campo abstrato.

Para uma empresa de construção, calor extremo pode alterar jornada, pausas, hidratação e planejamento de tarefas. Para uma operação logística, enchentes podem mudar rotas e expor trabalhadores a situações não previstas no inventário original.

ISO 45001, NR-1, GRO e PGR

A ISO 45001 e a NR-1 possuem vários pontos de conexão, mas não são equivalentes.

A certificação ISO 45001 não substitui o cumprimento das Normas Regulamentadoras. Da mesma forma, possuir um PGR não demonstra automaticamente conformidade com todos os requisitos da norma internacional.

A própria NR-1 permite que o GRO seja atendido por um sistema de gestão, desde que esse sistema cumpra as exigências da NR e os demais dispositivos legais aplicáveis.

Pontos de conexão

Exigência brasileira Como a ISO 45001 pode apoiar
Identificação de perigos Processo sistemático previsto no planejamento do sistema
Avaliação de riscos ocupacionais Critérios, registros e revisão contínua
Inventário de riscos Informação documentada sobre perigos, avaliações e controles
Plano de ação Objetivos, responsáveis, recursos, prazos e acompanhamento
Medidas de prevenção Aplicação da hierarquia de controles
Consulta aos trabalhadores Processo formal de consulta e participação
Gestão de contratadas Controles sobre compras, terceiros e processos terceirizados
Investigação de incidentes Tratamento de incidentes, causas e ações corretivas
Emergências Planejamento, testes e revisão da resposta
Melhoria contínua Indicadores, auditorias e análise crítica da direção

A tabela mostra aproximações, não correspondências automáticas entre cláusulas.

Cada empresa precisa avaliar separadamente:

  • os requisitos da ISO 45001;
  • a NR-1;
  • a NR-17;
  • as demais NRs aplicáveis;
  • a legislação previdenciária e trabalhista pertinente;
  • exigências contratuais e setoriais.

O prazo de revisão passa para três anos?

A avaliação de riscos deve ser um processo contínuo e normalmente precisa ser revista, no máximo, a cada dois anos, além das situações específicas previstas na NR-1.

Para organizações que possuem certificação em sistema de gestão de SST, esse intervalo pode chegar a três anos.

Isso não transforma o PGR em um documento com validade fixa.

Mudanças de processo, novos perigos, acidentes, doenças relacionadas ao trabalho, falhas nos controles ou alterações legais podem exigir revisão antes desse prazo.

Como implementar a ISO 45001

Não existe uma única sequência obrigatória. Esta ordem, porém, reduz retrabalho.

1. Defina o escopo

Determine quais unidades, atividades, trabalhadores, terceiros, produtos e serviços estarão abrangidos pelo sistema.

O escopo precisa representar a operação. Não deve excluir atividades relevantes apenas para simplificar a auditoria.

2. Faça uma análise de lacunas

Compare as práticas atuais com os requisitos da ISO 45001.

A análise deve mostrar:

  • o que já existe;
  • o que atende parcialmente;
  • o que precisa ser criado;
  • quais pendências legais precisam ser tratadas;
  • quais responsáveis e recursos serão necessários.

3. Entenda o contexto e as partes interessadas

Considere fatores internos e externos que afetam a SST, como:

  • tecnologia;
  • perfil da força de trabalho;
  • mudanças regulatórias;
  • terceirização;
  • clima;
  • cultura organizacional;
  • pressão por produtividade;
  • condições da cadeia de fornecimento.

Também identifique necessidades relevantes de trabalhadores, clientes, órgãos públicos, contratados e outras partes interessadas.

4. Garanta liderança e participação

A direção precisa assumir responsabilidades e disponibilizar recursos.

Os trabalhadores precisam participar da identificação de perigos, da avaliação dos controles e da investigação de problemas.

Participação não é apenas comunicar uma decisão pronta.

5. Identifique perigos e avalie riscos

Analise atividades rotineiras e não rotineiras, pessoas expostas, mudanças, emergências, terceiros, instalações e formas de organização do trabalho.

Inclua riscos:

  • físicos;
  • químicos;
  • biológicos;
  • ergonômicos;
  • psicossociais relacionados ao trabalho;
  • de acidentes.

Depois, defina critérios de probabilidade, severidade,ificação e decisão.

6. Verifique requisitos legais

Mapeie as NRs e outras obrigações aplicáveis à operação.

Para cada requisito, registre:

  • aplicabilidade;
  • responsável;
  • evidência;
  • frequência;
  • situação;
  • ação necessária.

A ISO 45001 exige avaliação periódica da conformidade, não apenas uma lista de normas.

7. Defina controles e objetivos

Aplique a hierarquia de controles e estabeleça objetivos mensuráveis.

Exemplo fraco:

Melhorar a segurança na produção.

Exemplo mais útil:

Reduzir em 30% os incidentes com movimentação manual de cargas até dezembro de 2027, após revisão do processo, adequação dos equipamentos e treinamento das equipes.

8. Estruture competências, comunicação e documentação

As pessoas precisam conhecer:

  • os perigos de suas atividades;
  • os controles necessários;
  • o que fazer em emergências;
  • como relatar desvios;
  • quais registros devem manter.

A documentação deve apoiar a execução. Procedimentos que ninguém consegue aplicar só criam aparência de controle.

9. Monitore e investigue

Acompanhe indicadores de prevenção e de resultado.

Além de acidentes e afastamentos, considere:

  • inspeções realizadas;
  • ações em atraso;
  • desvios recorrentes;
  • relatos de trabalhadores;
  • eficácia de treinamentos;
  • desempenho de terceiros;
  • exposição ocupacional;
  • efetividade das medidas implementadas.

Incidentes e não conformidades precisam ser investigados até a causa, não apenas encerrados com novo treinamento.

10. Realize auditoria interna e análise crítica

A auditoria interna verifica se o sistema atende aos critérios definidos e funciona na prática.

A alta direção deve analisar resultados, mudanças, desempenho, recursos, conformidade, incidentes e oportunidades de melhoria.

A ISO 19011:2026 oferece diretrizes para programas e práticas de auditoria de sistemas de gestão. Ela é especialmente útil para auditorias internas e de segunda parte, mas não substitui as regras de acreditação e certificação aplicáveis aos organismos certificadores.

Como funciona a certificação ISO 45001

A ISO publica a norma, mas não certifica empresas.

A certificação é realizada por um organismo independente. Antes de contratar, verifique sua acreditação, experiência no setor, competência técnica e escopo de atuação.

O processo normalmente inclui:

Auditoria de estágio 1

Avalia o nível de preparação da organização, o escopo, a documentação principal, o contexto e as condições para avançar.

Auditoria de estágio 2

Verifica a implementação do sistema na prática.

Os auditores podem:

  • visitar áreas;
  • observar atividades;
  • entrevistar trabalhadores e gestores;
  • verificar documentos e registros;
  • avaliar requisitos legais;
  • testar a coerência entre riscos e controles;
  • analisar incidentes e ações corretivas.

Quando são encontradas não conformidades, a organização precisa tratar as causas e apresentar evidências conforme as regras do processo.

O ciclo de certificação costuma incluir auditorias periódicas de supervisão e uma recertificação ao final do período definido pelo programa aplicável. O cronograma exato deve ser confirmado com o organismo certificador.

Checklist dos primeiros 30 dias

Antes de criar novos procedimentos, verifique:

  • ☐ Escopo preliminar do sistema definido.
  • ☐ PGR, inventário e plano de ação localizados.
  • ☐ Avaliação Ergonômica Preliminar revisada.
  • ☐ Perigos e riscos principais identificados.
  • ☐ Critérios de avaliação documentados.
  • ☐ NRs e requisitos legais aplicáveis mapeados.
  • ☐ Responsáveis pelos controles definidos.
  • ☐ Trabalhadores consultados.
  • ☐ Terceiros e processos contratados avaliados.
  • ☐ Emergências possíveis identificadas.
  • ☐ Indicadores existentes reunidos.
  • ☐ Incidentes e ações pendentes analisados.
  • ☐ Recursos e apoio da liderança confirmados.
  • ☐ Análise de lacunas programada.

O objetivo deste levantamento é descobrir a condição real da empresa antes de produzir documentos.

Erros comuns

Tratar o PGR como prova automática de conformidade

O PGR é uma base importante, mas a ISO 45001 também exige contexto, liderança, participação, avaliação de conformidade, auditoria, análise crítica e melhoria.

Começar pelo manual

Copiar documentos antes de entender os riscos produz um sistema genérico e difícil de executar.

Pular direto para o EPI

O equipamento individual é necessário em muitas atividades, mas não substitui a eliminação do perigo ou os controles coletivos quando estes são viáveis.

Avaliar risco psicossocial apenas por questionário

O MTE deixa claro que um instrumento isolado não comprova a gestão. É necessário analisar as condições e a organização do trabalho.

Concentrar tudo na área de SST

O setor técnico coordena, mas operação, manutenção, RH, compras, jurídico, contratadas, trabalhadores e liderança também possuem responsabilidades.

Usar somente indicadores de acidentes

Acidente é um indicador tardio.

Inspeções, desvios, ações atrasadas, exposição e percepção dos trabalhadores ajudam a agir antes do dano.

Preparar a empresa apenas para a auditoria

Um bom sistema precisa funcionar entre as auditorias.

A pergunta mais útil é:

Se a visita do auditor fosse adiada por seis meses, os controles continuariam acontecendo da mesma forma?

Benefícios possíveis da ISO 45001

Quando o sistema é bem implementado, a organização pode obter:

  • mais previsibilidade na gestão de riscos;
  • responsabilidades mais claras;
  • maior participação dos trabalhadores;
  • melhor integração entre PGR e gestão empresarial;
  • controles mais consistentes para terceiros;
  • melhor qualidade das evidências;
  • redução de incidentes e falhas recorrentes;
  • apoio a processos de homologação e contratação;
  • integração com ISO 9001 e ISO 14001;
  • fortalecimento do pilar social da agenda ESG.

Esses resultados não vêm do certificado sozinho.

Dependem da qualidade dos controles, da liderança e da capacidade de aprender com o que acontece na operação.

Perguntas frequentes

A ISO 45001 é obrigatória?

Não. A certificação é voluntária.

O cumprimento das Normas Regulamentadoras e das demais obrigações legais aplicáveis continua obrigatório.

A ISO 45001 substitui o PGR?

Não.

Um sistema de gestão pode atender ao GRO e integrar o PGR, desde que cumpra os requisitos da NR-1 e dos demais dispositivos legais aplicáveis.

Quem já tem PGR precisa começar do zero?

Não necessariamente.

Um PGR consistente pode oferecer uma base relevante. A empresa ainda precisa comparar seus controles com todos os requisitos da ISO 45001.

A ISO 45003 é certificável?

A ISO 45003 contém orientações para a gestão de riscos psicossociais. Ela complementa a ISO 45001, mas não funciona como uma certificação independente equivalente.

Toda empresa precisa avaliar riscos psicossociais?

A organização precisa considerar os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro da análise das condições e da organização do trabalho, conforme a NR-1 e a NR-17.

A forma de avaliação deve ser adequada ao contexto.

A empresa certificada pode revisar os riscos apenas a cada três anos?

O prazo pode chegar a três anos para organizações com certificação em sistema de gestão de SST, mas a avaliação continua sendo um processo contínuo.

Eventos e mudanças previstos na NR-1 podem exigir revisão antecipada.

Quanto tempo leva para obter a certificação?

O prazo varia conforme o porte, a complexidade, o número de unidades, a maturidade do PGR, as pendências legais e o envolvimento da liderança.

Uma análise de lacunas é a forma mais segura de estimar o esforço.

Qual é a versão atual da ISO 45001?

Em julho de 2026, a edição vigente é a ISO 45001:2018, acompanhada da Emenda 1:2024 sobre mudanças climáticas.

Uma nova edição está em desenvolvimento, mas ainda não substituiu a versão vigente.

Por onde começar

Comece pela realidade, não pelo modelo de documento.

Reúna o PGR, a AEP, os registros de incidentes, as obrigações aplicáveis, os controles existentes e as ações pendentes.

Depois, faça três perguntas:

  1. O risco descrito no documento corresponde ao trabalho real?
  2. O controle definido está funcionando?
  3. O trabalhador exposto reconhece o mesmo risco e sabe como agir?

Se as respostas não coincidirem, esse é o primeiro ponto de melhoria.

Como a Damatta pode apoiar

A Damatta apoia organizações na estruturação e na melhoria de sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho, incluindo:

  • diagnóstico inicial;
  • análise de lacunas da ISO 45001;
  • integração com GRO e PGR;
  • organização de requisitos legais;
  • revisão de riscos e controles;
  • estruturação de indicadores;
  • auditorias internas;
  • preparação para certificação;
  • integração com outros sistemas de gestão.

O trabalho parte da operação, porque é nela que a segurança precisa funcionar.

Converse com a equipe da Damatta

Fontes oficiais consultadas

  1. ISO 45001:2018
  2. Emenda climática ISO 45001:2018/Amd 1:2024
  3. ISO 45003:2021
  4. ISO/PAS 45007:2026
  5. ISO 19011:2026
  6. Página oficial do PGR no Ministério do Trabalho e Emprego
  7. NR-1 vigente
  8. Manual do GRO e do PGR
  9. Perguntas e respostas sobre o capítulo 1.5 da NR-1

Aviso editorial: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação técnica ou jurídica das obrigações aplicáveis a uma operação específica.

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